13/12/2022
fazer arte, por mais que seja um lugar de solidão, quase nunca é uma realização individual. é preciso contar com o apoio, a escuta, os serviços, o tempo, o suporte de outras pessoas em vários momentos para fazer as coisas acontecerem.
na construção da performance-instalação 'Não seque por dentro', diferente de outros trabalhos que tenho, eu precisava de uma preparação de corpo intensa que me pedia alguém de confiança para observar, provocar e ajudar a construir o que iria ser apresentado ao público.
durante sete semanas essa pessoa foi Maria, uma parceira em vários momentos de vida que se mostrou aberta a fazer isso acontecer comigo. foram dias e mais dias de repetição, exaustão, entrega e acessos. foi ela quem me viu chorar, chegar ao limite do corpo, respirar fundo e continuar para mais um dia.
essa foi a primeira vez que quebrei a 'quarta parede' em performance e que a fala/palavra foi muito relevante em uma obra minha, assim como o corpo em transe. vê-lo de fora sem ajuda do outro poderia me custar muito tempo, mas ter alguém no processo facilitou muito os meus caminhos.
dividir a jornada é uma questão relevante para mim e fazer isso através de 'Não seque por dentro' com outras pessoas pretas foi um momento que me trouxe a coragem necessária para encarrar as vulnerabilidades do tema e buscar provocar diálogos com o mundo.
obrigado por ser, estar e fazer nesse momento tão importante, Maria. você é gigante! 🤎
imagens: Jonta Oliveira