14/08/2020
3 de agosto.
Acordei com o baque. Lembrava de cada sensação daquele sonho, levantei-me e direcionei meu corpo até a cozinha, ainda sonolento e cambaleando assustado. Lembro-me que sonhava com um garoto, de cabelos negros e lábios salientes, os olhos eram castanhos, o tom de pele alaranjado da tarde o fazia reluzir, o sol já não existia... fo***se. O sol quer nos matar, vocês sabiam disso não é? Ele não é seu amigo, se o homem não destruir o planeta antes, o nosso querido Sol irá não engolir sem dó aos gritos de misericórdia, e o que sobrará será um grande nada. Desculpe te contar isso. A mesma situação é a do homem, destruindo o planeta por mero capricho. Fo***se você também capitalismo desgraçado. Afastei as lembranças daquele embuste, claro que não iria passar o resto do meu dia romantizando aquele ato desumano, infantil, um sonho patético. Lavei o rosto, era hora de acordar e respirar um pouco de ar fresco, porém do lado de fora da casa fazia um frio de deixar as unhas roxas. Passei o café, fechei os olhos, respirando fundo e aspirando aquele cheiro, feito com o bule herdado de minha avó — a única pessoa sensata de todo o universo — me senti melhor, sentei-me a mesa, em quanto tempo esquecemos dos sonhos? Não lembro de mais nada a essa altura. O braço com o relógio de pulso na mesa, a caneca de vidro simulando cristal da minha mãe, e eu, claro, refletindo sobre o que havia escrito um dia antes, sobre alguém, irei é óbvio, lhes poupar daquele melodrama. Voltei ao quarto, o relógio marcava 5:49, lancei meu corpo quente sobre a cama fria, choque.