14/08/2022
Meu parceiro, não há muito o que dizer diante da vida que vivemos juntes.
Posso dizer, para quem não está na coxia, nem no palco, na cama, nos beijos, nas lágrimas, no medo, no amor; para quem não está no gozo dourado que oferto à ti, toda vez que a pequena morte (petite mort) me mostra que estou viva.
Como vou dizer para quem não está, como tu, olhando para dentro de minh’alma, que és uma homem feminino? Não vou, não vou dizer assim, porque a palavra homem já vem esteriotipada e esterio, já vem estática e morta na prepotência do poder, tudo àquilo que você não é. Você é movimento, é devir, delicadeza amor, virilidade, potência, sexualidade, doçura, fala e escuta. Nos conhecemos no palco e provavelmente morreremos no palco, desenhando nossos mundos e delineando materialidades, moldando nosso inconsciente para falar dos seres que somos, dos desejos que nos fazem ser, com nossas subjetividades pulsantes. Vou dizer que nos metamorfoseamos em nossa arte, que é múltipla e eterna, como nós somos. Amo-te como o barro ama a mão que o transforma.
Poderia dizer tudo, porque minha persona escritora é a mais livre de todas, mas não vou dizer, vou viver, nossa vida me dá um imenso tes4o.