08/05/2026
Quando um bebê nasce, acho mesmo que se instala uma neblina.
Mas essa é uma percepção recente pra mim.
Porque, enquanto eu estava ali, no meio do caos, não conseguia enxergar muita coisa. Nem a mim mesma direito.
Agora sinto que essa neblina está começando a decantar. E, repare: começANDO, no gerúndio mesmo. Porque ainda acontece aos poucos. Ainda existem dias confusos. Mas, entre uma fresta e outra, consigo olhar mais para mim. Para essa nova mulher, agora mãe.
Tem dias em que sinto falta da mulher que eu era antes. Do tempo que eu tinha e não sabia. Da autonomia de ler, sair ou simplesmente tomar banho sem pensar em mais nada.
E então surge uma nova palavra dita com aquela voz deliciosa. Uma mãozinha me procurando. Um abraço inesperado.
Isso me resgata.
E percebo que talvez eu não tenha desaparecido. Talvez eu só tenha ficado escondida um pouco atrás da neblina que é se doar quase 100% a outro ser humano.
Esse trabalho, o de maternar, é gigantesco. Porque exige presença mesmo no cansaço. Exige entrega mesmo quando o corpo pede pausa. Exige sustentar emocionalmente outro ser humano enquanto o próprio corpo, a própria identidade e a própria rotina ainda tentam encontrar um novo lugar para existir.
Maternar é amar alguém de um jeito tão profundo que a vida inteira muda de eixo.
Que possamos viver esse processo com mais apoio, mais descanso, mais acolhimento e prazer. Que existam braços para sustentar quem sustenta infâncias, vínculos e futuros.
📷 , no nosso ensaio ORIGEM.
Cenário: .atelie
Estúdio: