24/08/2026
Bahia.
Uma baía é onde as águas chegam e encontram abrigo.
É onde o mar se recolhe, desacelera e acolhe.
E talvez exista algo de muito profundo nisso quando pensamos na Bahia.
Uma terra marcada pelo feminino. Pelo colo, pelo cuidado, pela força de quem acolhe e guarda.
É impossível falar da Bahia sem falar da força de suas mulheres.
Mulheres que guardaram fundamentos, rezas e rituais, protegeram seus terreiros, cuidaram dos seus e enfrentaram o racismo de peito aberto. Mulheres que, muitas vezes com muito pouco, fizeram muito. Que arregaçaram as mangas para honrar seus ancestrais e garantir que seus filhos, netos e os que viessem depois pudessem continuar pisando nesse chão.
A baía recebe as águas sem perguntar de onde elas vieram.
E talvez os terreiros tenham sido, para tanta gente, essa mesma baía: lugar de chegada, de acolhimento, de pertencimento e de continuidade.
Ali se guardou aquilo que tentaram apagar.
Ali se ensinou aquilo que tentaram silenciar.
Ali se manteve vivo aquilo que tentaram matar.
Essas mulheres deram luz, literalmente, a uma parte fundamental da nossa sociedade. Foram elas que ajudaram a manter viva a nossa cultura, a nossa ancestralidade e as religiões de matriz africana e fizeram da própria existência uma forma de resistência.
A essas mulheres, eu bato minha cabeça.
Porque honrar essas mulheres é honrar a nossa própria história.
É reconhecer que a história do Brasil também foi construída dentro dos terreiros, pelas mãos de mulheres cujos nomes muitas vezes não chegaram aos livros, mas permanecem gravados na memória de um povo.
Bahia.
Terra que acolhe como baía,
que guarda como ventre
e que resiste como mulher.
Oh, minha Bahia de Todos os Santos, de todos os encantos e de tantas histórias que saudade de você!