05/02/2013
Estamos com problemas na suspensão dianteira e vamos rodando a 50 km/h para ver se chegamos a El Chaltén com o carro inteiro. Nosso horário de chegada passou para as 21h mas não apenas pelo defeito da suspensão. À medida em que nos aproximamos do povoado, o cenário começa a ficar tão maravilhoso que paramos toda hora para apreciar e fotografar. Do lado direito da estrada, montanhas velhas e erodidas. Do lado esquerdo, montanhas “recentes” de granito, tudo sob um céu azul profundo, à luz do fim do dia. São 9 horas da noite e o sol ainda brilha. Na pequena cidade (400 habitantes no inverno e 4.000 no verão) há uma oficina que cuidará da Mitsubishi amanhã pela manhã.
No dia seguinte, na hora marcada estamos na frente da oficina e não precisamos esperar muito. Em cinco minutos chega o mecânico que abre as portas do barracão e pede que entremos com o carro. Leva-nos até o canto da oficina onde três banquetas forradas de pelegos nos aguardam. Ao lado um macacão azul cobre um antigo fogão. Don Inácio pega o macacão que ficara secando durante a noite e vai se vestir para o trabalho. Volta sorridente e sem olhar para a caminhonete (o que nos deixa um pouco preocupados) e trata de acender o fogo e pôr água na chaleira para ferver. Mais curiosos do que apreensivos, começamos a curtir a hospitalidade. Ouvimos alguns causos de Don Inácio até sermos interrompidos pelo chiado da água que ferve. O papo continua, agora compartilhando o chimarrão argentino. Meia hora depois, Don Inácio ergue a pick-up e dá seu diagnóstico. Os parafusos se soltaram, muita trepidação na terra da Patagônia, talvez os pilotos são muy rápidos e a viagem muy longa. Pega a chave de boca apropriada e acopla uma peça de madeira dura no cabo. E o seu torquímetro, vai apertando e apertando. Quando a madeira quebrar, o aperto está na medida. E preciso um cabo novo para cada parafuso. Mais quarenta minutos, saímos mais sábios e com o carro em ordem para novas trilhas.