Nani Rodrigues

Nani Rodrigues Nani Rodrigues, fotógrafa de comida, lugares e gente.

Semana passada completei 20 anos na fotografia. Eu tinha 18 quando meus pais me deram de aniversário uma Sony Cybershot,...
06/09/2026

Semana passada completei 20 anos na fotografia. Eu tinha 18 quando meus pais me deram de aniversário uma Sony Cybershot, uma câmera completamente amadora, pequena o suficiente para caber na minha bolsa e andar comigo para onde eu fosse e grande o bastante para abrigar sonhos.

Entre fotos de flores (quem nunca?), gotas de orvalho nas folhas ao amanhecer, muros desgastados e porteiras em estradas de terra, fui documentando minhas passagens pelo interior de Minas e aprendendo, na prática, as nuances da luz do sol, minha estrela favorita.

Tiradentes sempre foi destino de férias da minha família. A cidade me viu trocar de equipamento e amadurecer o olhar enquanto eu me profissionalizava, registrando suas pedras, rendas nas janelas, sabores e ruínas, um grande pout-pourri do que atrai meu olhar.

Anos depois, esse mesmo chão foi base para trabalhos, palco para a exibição de um filme meu em praça pública e escola para eu aprender a cozinhar. São também 20 anos de visitas, pelos meus cálculos.

No meu aniversário de 2026, comemorei minha vida, minhas duas décadas de carreira, meu romance com essa vilinha tão especial e ainda sobrou espaço para realizar um sonho.

Neste ano, as flores e gotas de orvalho da Cybershot deram lugar às flores de Jaime David Rodriguez Camacho , e o chão de cimento queimado vermelho da Pequena Tiradentes Pousada virou a moldura dessa realização. Pude registrar com as minhas lentes e provar com os meus sentidos aquilo que eu já namorava havia anos pelas telas do celular.

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Obrigada Carolina Daher por fazer este momento acontecer! Só você mesmo para trazer o Celele Restaurante, por um dia, para Tiradentes 🧡

Um iPhone na mão e uma artista que eu acompanho há anos, juntando várias coisas que eu amo em uma noite só: documentar m...
11/08/2026

Um iPhone na mão e uma artista que eu acompanho há anos, juntando várias coisas que eu amo em uma noite só: documentar minha vida, documentar gente que admiro, documentar arte.
Que espetáculo LA ROSALÍA !
Um privilégio sempre poder te ver ao vivo.

Quando o Vitor Velloso e o Luli Lanches me chamaram para criar a linguagem visual dos drinks do barchika.jp , a primeira...
02/08/2026

Quando o Vitor Velloso e o Luli Lanches me chamaram para criar a linguagem visual dos drinks do barchika.jp , a primeira coisa que pensei foi: essas fotos não podem ser perfeitinhas demais.

O bar é uma mistura de referências ao Japão dos anos 80. Tem TV de tubo passando artes pixeladas, uma delas com Mortal Kombat pronto para uma partida, action figures de Godzilla, Pikachu e Totoro espalhados pelas prateleiras, e cores ácidas e saturadas para contrastar com paredes pintadas em preto e mesas com espelho.

Em vez de esconder tudo isso, resolvi deixar que o próprio espaço contaminasse as fotos. Busquei a sensação de um filme analógico mal revelado: vazamentos de luz, exposição errada, muito grão, cores meio imprevisíveis, um flash que trabalhou meio errado.

Não queria que parecessem fotos de catálogo. Queria que tivessem a cara de uma lembrança meio borrada, um Japão analógico inventado. Frames perdidos de um filme que, na realidade, nunca existiu.

Fotos de Luiz Filipe Souza e Evvai para ACTO Com Marcos Lôndero BREJO
26/07/2026

Fotos de Luiz Filipe Souza e Evvai para ACTO

Com Marcos Lôndero BREJO

Pisei pela primeira vez em Goiânia sob um calor de doer, exatamente como eu esperava. Apesar de haver um sol para cada u...
23/07/2026

Pisei pela primeira vez em Goiânia sob um calor de doer, exatamente como eu esperava. Apesar de haver um sol para cada um, é inverno na capital de Goiás, e, à noite, a temperatura dá uma esfriada tímida. Na mala, roupas leves, uma jaqueta, muita fome e uma missão: conhecer algumas (quase todas) as casas do Grupo Íz , que tem o chef Ian Baiocchi como um de seus sócios.

Minha primeira refeição, um longo almoço, foi no recém-inaugurado .napoli (e, fora do tópico, vale dar uma olhada no conteúdo deles: é muito bonito). O restaurante se inspira em Nápoles, mas sem qualquer compromisso com a tradição. Muito pelo contrário: a Itália funciona apenas como ponto de partida.

O resultado é divertido. Um exemplo é o jogo de palavras que deu origem ao Tonno Vitelato, um vitello tonnato invertido: carpaccio de atum com emulsão de carne e alcaparras. Na seção de massas, a categoria “Sacrilégio” reúne criações como uma macarronada de pequi com ragu de ossobuco, para os apaixonados pela fruta. Já o cacio e pepe aparece descrito como “Confortavelmente clássico”.

Para a sobremesa, há gelatos no palito produzidos pela Alata , que também faz parte do grupo, ou uma delicada panna cotta de doce de leite com maçã verde e rochas de mel.

Fotos para  com grande elenco:Fotos:   (.co)Direção de arte e objetos:  com assistência de .irsaiProdução executiva:  e ...
21/07/2026

Fotos para com grande elenco:

Fotos: (.co)

Direção de arte e objetos: com assistência de .irsai

Produção executiva: e

Todos sob a batuta de

Tomates: uma carta de amor.
12/07/2026

Tomates: uma carta de amor.

Em dias em que acorda de pé esquerdo, ele é mais azedo que leite azedado. Já a moça, colorida, acorda às vezes meio assi...
31/05/2026

Em dias em que acorda de pé esquerdo, ele é mais azedo que leite azedado. Já a moça, colorida, acorda às vezes meio assim, moqueca baiana: vistosa, cremosa, viva, forte e, ainda por cima, apimentada. Aquela outra, toda segunda-feira, sai moderna como aplicativo de delivery, mas, à noite, chega em casa que nem a batata frita que pediu com a ponta dos dedos: meio murcha, oleosa, já teve dias melhores. Noutro canto, tem uma que leva uma vida despretensiosa e sem medidas, como receita de vó, mas só aos fins de semana, já que, em dias de feira, ela é como aquele homem que sai pro almoço apressado: mais confuso e embolado que tutu com farofa e ovo mole em marmita de alumínio.

Se toda gente fosse uma refeição, como seria? A verdade é que livro de receita nenhum vem com passo a passo de pessoa. Tem dias em que a gente tá bolo de festa, tem dias em que estamos mais pra escondidinho, tem dia de bem-casado e dia de cajuzinho. Há aquela semana em que o prato está frio e sem graça; já na outra, ele é todas as cores da horta. Mas os melhores dias são aqueles em que a gente é almoço de domingo.

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Este é um trecho da minha crônica “Almoço de Domingo”, último texto publicado na minha nova newsletter Comer com os olhos.

No carrossel, pedaços de outros dois textos já publicados.

Pouca gente sabe, mas entrei na gastronomia por volta de 2014, através do meu trabalho como fotógrafa, sim, mas junto com ele, eu escrevia. Uma ou outra coisa foi publicada, muitas não, mas eu nunca parei de escrever. O trecho que você lê aqui, por exemplo, é de 2017.

Para além dos restaurantes, porque nem tudo é só sair para comer, na edição “Almoço de domingo” trago sugestões de filmes para ver no sofá, num fim de tarde preguiçoso, e um álbum para ouvir enquanto cozinha ou recebe, atravessado por metáforas gastronômicas do começo ao fim.

Assine a Comer com os olhos pelo link da bio.

Na edição “Caqui”, reuni restaurantes pelo Brasil que estão servindo pratos com a fruta da estação.

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Foi em um restaurante de pratos clássicos, numa pequena vila na França, que comecei a pensar sobre o lugar dos clássicos à

Clássico é clássico e vice-versa. Ou, pelo menos, é o que dizem no Brasil. A piadinha, bem à brasileira, normalmente é p...
03/05/2026

Clássico é clássico e vice-versa. Ou, pelo menos, é o que dizem no Brasil. A piadinha, bem à brasileira, normalmente é proferida para provar um ponto: com um clássico bem feito, não tem erro, e é por isso que eles existem. Já eu gosto de pensar diferente: os clássicos resistem para nos ensinar.

Rodando de carro pela região de Moselle, um departamento no nordeste da França, salpicado de pequenas vilas à primeira vista praticamente inabitadas, chamam a atenção alguns casarões de dois andares e muitas chaminés, com lousas negras na porta descrevendo os plats du jour, sempre clássicos. Em sua maioria, trata-se do único restaurante em quilômetros, responsável por abastecer várias comunas nos horários mais inusitados. Esqueça tentar se guiar pelo Google Maps: você vai precisar confiar em algum local.

Como num passe de mágica, após cruzar ruas desertas, quando você atravessa a porta de um desses lugares, tem a certeza de que são o coração da cidade. O cheiro de cozido é um imperativo; o de manteiga, uma sorte para os narizes mais atentos; e o de ervas, um anúncio. O barulho é feliz e faz você notar mesas compridas, apinhadas de famílias gigantes. Três ou quatro gerações se nutrindo dos mesmos pratos. Naquela quarta-feira de sol: salada de pot-au-feu, poulet à la crème e tarte tropézienne. Tudo servido em louças brancas, sobre simpáticas toalhas estampadas.

Mas voltemos aos ensinamentos. O principal, poulet à la crème, nos aconselha a cozinhar uma carne mais seca, como o peito de frango, em gordura. Na França, isso quer dizer manteiga ou creme de leite, e aqui temos os dois, para não faltar untuosidade. O pot-au-feu, tradicionalmente um cozido de carne e legumes, nas mãos de uma cozinheira esperta vira uma salada fria no dia seguinte, com a adição de picles de pepino para trazer acidez. Um exemplo de que um único caldeirão rende diferentes refeições. Por fim, a tarte tropézienne não leva lâminas de amêndoas crocantes no topo, mas a sobremesa daquele dia mostra que um clássico resiste por ganhar um toque especial em cada casa onde é feito. Porque um clássico não é aquilo que nunca muda, é aquilo que nunca para de ensinar.

Almoço em um sábado de sol em Estrasburgo ✨
21/04/2026

Almoço em um sábado de sol em Estrasburgo ✨

Endereço

Lago Norte
Brasília, DF
71510300

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