12/04/2026
Lembranças.
Voltar à cidade de origem sempre causa memórias de um passado distante, principalmente quando se chega a uma idade que já cruzou a fronteira do meio século. As ruas não mudaram: estão no mesmo lugar, têm os mesmos nomes. As casas, algumas, mudaram a fachada, trocaram de cor. Essas mesmas ruas nos levam do presente ao passado, que f**a logo ali, na próxima esquina.
Durante muitos anos eu só voltava até a Rua Joaquim Magalhães, 602, onde minha mãe ainda habitava, aqui, no planeta Terra. Eu demorava pouco: visitava a igreja, fazia um agradecimento aos santos, pedia ao dono da casa permissão para demorar um pouco mais neste planeta e, fechada a visita, voltava à minha vida cotidiana. Não passeava pelo meu passado.
Foi em 2026 que vim para f**ar um pouco mais. A casinha onde cresci estava largada ao tempo, carecia de uma renovação antes que os cupins quisessem fazer morada. Mas todos sabem que renovar sempre leva mais tempo do que imaginamos. Fui me hospedar no convento franciscano, no exato local onde estudei, joguei futebol e vivi outras meninices da época.
O resgate do passado começou no quarto da hospedaria, que antes fora sala de aula. Imagens fantasmagóricas — boas e frustrantes — brotavam a cada centímetro do local.
No domingo, despertei com o relógio cantando as horas em seus quartos de hora e mergulhei profundamente nas minhas lembranças auditivas.
Como todo domingo nas cidades do interior, silencioso, caminhei pelas ruas desertas, cruzando fronteiras da lembrança que estavam escondidas. A Rua do Fogo, que antes abrigava famílias de sobrenomes importantes, trocou o conjunto de casas residenciais por uma mistura comercial e residencial. Mas encontrei uma que mantinha o mesmo desenho: a casa da família Campos, um aconchegante sobrado de cor amarela que guarda a memória daquela arquitetura.
Vi uma moradora sair apressada, e ela lembrava a antiga proprietária.
Fui embora carregando muitas imagens do passado e lembranças de um tempo…
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