21/07/2026
Passei anos estudando luz. Aprendi a posicioná-la, suavizá-la, endurecê-la. Aprendi a desenhar rostos e a controlar sombras. Mas acho que eu estava fazendo a pergunta errada.
Nos últimos meses, depois da partida do meu pai, comecei a entender que uma fotografia não é iluminada apenas porque a luz bate bonito. Ela é iluminada quando a luz visível encontra alguma coisa que já existia dentro da pessoa.
Viajei mais de dois mil quilômetros para aprender direção fotográfica com a PAULA ROSELINI e voltei sabendo o que ela não é: não é conduzir alguém até uma pose e sim abrir um lugar onde essa pessoa possa, enfim, parar de representar.
Mais do que no curso, aprendi estando do outro lado como as fotografias não mostram uma versão melhor da pessoa, assim@como não mostram essa versão melhor de mim. Também não mostram quem eu sou por completo apesar delas mostrarem muito do que eu sou aparecendo e acontecendo ao mesmo tempo. Paula fez eu me encontrar num instante em que eu parei de tentar parecer alguma coisa. E pela primeira vez, eu me senti verdadeiramente visto por mim mesmo.
Nessas fotos eu estou muito pequeno nas dunas, estou deixando um rastro de pegadas. Estou lançando areia, quase infantil em minhas meninices. Nelas eu sou o homem contemplativo, um corpo cansado, um homem que chora. Mas também existe uma gargalhada enorme da criança que ri, com braços abertos, com movimento, uma espécie de euforia.
Descobri que é essa a fotografia que eu quero fazer daqui para frente. A que usa a luz visível para convidar a luz invisível da pessoa a aparecer. A luz que, em vez de revelar um rosto, consegue desvelar uma presença. A luz que nunca poderá ser copiada pela pela IA.
Obrigado, PAULA ROSELINI … Vc estava preocupada se valeria a pena para mim sair da Bahia para aprender contigo e você me ensinou muito mais do que vc mesma se propôs. Obrigado por aceitar a sua missão!