16/01/2026
E se eu te disser que faltam poucos dias para o Carnaval?
É desconcertante a velocidade com que o tempo se esvai entre nossos dedos, não acha? Mal conseguimos assimilar a chegada deste novo ano de 2026 e já nos encontramos imersos na metade de janeiro. A sensação é de que, num simples piscar de olhos, fevereiro já se aproxima no horizonte trazendo consigo a efervescência do Carnaval, enquanto os dias se sucedem de forma quase vertiginosa, dissolvendo-se antes mesmo que consigamos nos dar conta de que é hora de cumprir as promessas de ano novo.
Essa percepção do tempo torna-se f**a nítida quando olhamos para as crianças que fazem parte do nosso cotidiano. Há algo intrigante na metamorfose silenciosa que se desenrola diante de nós: aqueles seres, que dependem integralmente de nossos cuidados, se convertem, num ritmo quase cinematográfico, em indivíduos repletos de vontades próprias, opiniões firmes e uma complexidade emocional e intelectual que constantemente nos surpreende.
Vivemos, então, uma experiência paradoxal. De um lado, somos inundados por uma alegria intensa ao testemunhar cada conquista, cada novo gesto, cada descoberta refletida nos olhos curiosos que interrogam o mundo. Acompanhar o crescimento de uma criança é contemplar, em tempo real, o prodígio da vida que evolui lenta e implacável.
Ao mesmo tempo, uma melancolia sutil se insinua: a consciência de que certas fases se encerram rápido demais. A voz infantil, o jeito desajeitado de caminhar, os primeiros dentes que despontam, as manias – tudo se converte, pouco a pouco, em memória, f**am fragmentos de felicidade guardados em caixinhas, em álbuns de foto em pen drives com os vídeos que mais amamos guardados em fundos de gaveta.
É verdade o que dizem, a fotografia captura um pedacinho da nossa alma.