07/06/2026
RESISTÊNCIA
Encalhado na Praia de Redonda, em Icapuí, o velho Monsenhor Diomedes resiste ao tempo como um monumento da luta dos pescadores artesanais cearenses.
Mais do que uma embarcação, ele foi símbolo de uma das mais importantes mobilizações populares do litoral brasileiro. Em meio aos conflitos que marcaram a chamada Guerra da Lagosta, o barco foi adquirido com recursos da própria comunidade pesqueira para ajudar na fiscalização das áreas de pesca artesanal, diante da ausência do poder público.
Naquele período, pescadores artesanais enfrentavam a expansão da pesca predatória, realizada com equipamentos ilegais como compressor, caçoeira e marambaias, métodos que ameaçavam os estoques de lagosta, destruíam o ambiente marinho e colocavam em risco a sobrevivência das comunidades que dependiam do mar.
A comunidade de Redonda tornou-se referência nacional por sua organização e resistência. A defesa da pesca artesanal mobilizou gerações de pescadores que enfrentaram conflitos, perseguições e até mortes para proteger o mar, a lagosta e seu modo de vida.
Hoje, corroído pela maresia e pelo abandono, o Monsenhor Diomedes segue de pé. Sua madeira marcada pelo tempo guarda as memórias de homens e mulheres que se recusaram a assistir em silêncio à destruição de seu território.
Cada ferrugem, cada tábua desgastada e cada marca em seu casco contam uma história de coragem, união e resistência.
Que sua preservação seja entendida não apenas como a conservação de um barco, mas como o reconhecimento de um patrimônio vivo da memória da pesca artesanal do Ceará.
📍Praia de Redonda – Icapuí/CE
GuerraDaLagosta TibicoBrasil .manzua