05/05/2026
Eu já completei o álbum da Copa do Mundo. O álbum da Copa de 74 foi o primeiro e único álbum que eu completei em toda a minha vida. Apaixonado por futebol, morando ainda no Rio de Janeiro, com a ajuda de toda a família — principalmente da minha querida avó Rita — que chegou a escrever para a empresa pedindo os últimos cromos que faltavam para fechar a coleção.
É um álbum maravilhoso. A seleção brasileira abre as páginas como um portal de memórias, e logo depois vêm seleções icônicas como Escócia, Haiti, Zaire… nomes, rostos, bandeiras que, para um menino de oito anos, eram muito mais do que futebol — eram descoberta de mundo.
Eu era completamente envolvido pelas brincadeiras de bafo, pelas trocas no colégio, pela ansiedade de comprar um novo pacotinho na banca da esquina. Existia um ritual, uma expectativa quase mágica. E completar o álbum… aquilo era uma conquista enorme, quase uma consagração.
Lembro também do fascínio pelos nomes — especialmente os jogadores do Zaire. Eu repetia como se fossem versos: Mukombo, Kakoko, Buanga… Aquilo me levou além do futebol. Me fez gostar de geografia, de países, de bandeiras. Me ensinou a olhar o mundo com curiosidade.
A Copa foi da Alemanha, mas o que ficou em mim foi esse tempo: o da espera por uma figurinha difícil como a do Cruyff, o da troca justa, o da infância em estado puro.
Hoje vejo os novos álbuns, cheios de tecnologia, aplicativos, versões digitais… mas, sinceramente, não me canso de dizer: eu não entro nessa mais.
Porque eu já completei o álbum.
E esse ninguém tira de mim. ⚽📖