18/05/2025
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Outras manhãs
por
As manhãs que não vivi
dormem nos galhos da memória,
penduradas como roupas leves
que nunca secaram ao sol.
Tiveram cheiro de café que não fiz,
e promessas que o vento varreu
antes que eu abrisse a janela.
Nessas manhãs, meus passos não doeram,
minhas palavras não ficaram presas,
e o tempo, sempre tão senhor,
fez-se menina, correndo no quintal.
As outras manhãs me esperam
onde o silêncio guarda espaço
para aquilo que ainda posso ser:
um gesto, um fio de esperança,
um sol que ainda nasce,
mesmo fora da hora.