09/10/2025
Cinco meses sem você
Hoje fazem cinco meses que você se foi.
E tudo continua no mesmo lugar — a xícara de cappuccino, o Tolino, a gramática de português, o livro de matemática.
Seu escritório permanece intacto, com sua cadeira confortável e a mesa que a Tininha, nossa gata, adotou como o lugar preferido para dormir.
Quando ligo o computador para ver suas fotos, ela se deita ao lado da tela e adormece tranquila, como se sentisse sua presença.
E eu choro. Sempre choro.
Aqui no Facebook, você não tinha muitos amigos, mas os poucos que aparecem falam de você com tanto carinho — e isso me conforta.
Escrevo estas palavras como um desabafo, mas também como um registro.
Porque tem sido tão difícil cumprir seus últimos desejos.
Seus filhos, depois de trinta anos, reapareceram de repente — não movidos por saudade, mas por uma obsessão em saber sobre o testamento e tudo o que pudesse ter valor material.
Por isso ainda não consegui ir até a casa para recolher as coisas que você me pediu para guardar — aquelas que têm o verdadeiro valor: o emocional.
A vida mudou tanto por aqui.
As pessoas a quem você me aconselhou procurar estão em novas fases — uma passando por um momento difícil, outra começou um novo trabalho.
Essas coisas da vida terrena que nos surpreendem.
Meu irmão João, aquele que te prometeu que eu ficaria bem, cumpriu a palavra.
Ele veio me visitar e, com seu espírito alegre e generoso, tem me ajudado muito.
Você sabe como ele é — cheio de luz.
Os macaquinhos ainda vêm buscar bananas.
A primavera chegou com chuva, e logo o verão estará aqui — com sol, turistas e praias cheias de vida — os mesmos lugares que você tanto amava.
Uma amiga sua do Chile esteve aqui recentemente.
Não consegui encontrá-la pessoalmente, mas conversamos pelo WhatsApp.
Ela viajava com o filho, explorando Florianópolis — e por um instante, senti você por perto, sorrindo com aquele olhar sereno que dizia tudo sem palavras.
E assim sigo, entre memórias e silêncios.