Damião Paz

Damião Paz Fotógrafo e artista visual. Um simples contador de histórias. Fotos disponíveis em quadros. Escolha a sua!

Me deparei essa semana no 5° ano de pesquisa genealógica sobre minhas linhagens paterna e materna. Minha família materna...
20/02/2025

Me deparei essa semana no 5° ano de pesquisa genealógica sobre minhas linhagens paterna e materna. Minha família materna é inteira do Vale do Ceará-Mirim, nesse ramo eu consegui reunir mais de 200 anos de documentações, com raízes em território Ibirapi, nós fazemos parte dos tronco velhos dos Potiguara daqui.

O lado paterno, com mais de 300 anos de historia. No livro Outras Família do Seridó de Helder Macedo, uma pesquisa fruto de longos anos sobre os povos indígenas e miscigenação no Seridó, o autor escreveu sobre algumas famílias não brancas da região, e quase todas elas são descendentes dos nossos antepassados, do casal João Nunes da Paz (I) e Rosa Maria, sendo ele filho de Maria da Purificação, apontada também como mãe de Manuel Esteves de Andrade. Essa família, ocupando um território em que outrora aparece, também em uma das obras do Helder, em carta em que Rei Canindé reclama seu território no sítio Acary. Os Nunes da Paz então, por meio de Manuel Esteves de Andrade erguem no século XVIII a capela de Nossa Senhora da Guia e a partir daí surgiu o povoado que hoje é a cidade de Acari. Tudo isso fruto de uma organização de uma família não branca, em um lugar povoado por pessoas indígenas.

Nunca, nos da Paz em Poço Branco soubemos dessas histórias, mas um ramo da família, os Patrício, descendentes de Patrício Nunes da Paz guardou bem que somos descendente dos Tapuia do lugar. Fato é que, no livro de sesmaria recém lançado pela UFRN, consta uma demarcação de sesmaria em 1812 para Manuel Nunes em Poço Branco, ribeira do Ceará-Mirim, e ele afirma lá que, a família ocupa o lugar há mais de cem anos. No entanto, sempre houveram migrações para Santana do Matos, por isso um ramo dessa família é conhecido como os Pixorés, originários de Acari.

Não cabe mais texto rsrs

1 retratos de primos, tios, vovó e bisavó
2 bisavó mãe da vó Ciça, mãe de pai
3 vovó Ciça
4 vô Zé Pixoré
5 pai e tia Lucielma
6 pai
7 mãe
8 meu rosto e o de mãe
9 bibliografia
10 oralidade registrada
11 carta que Rei Canindé aparece como dono das terras de Acari
12 demarcação do S**o dos Pereira - Acari
13 a 18 genealogias
19 família paterna
20 primo cantando para nossos ancestrais

Jenipabu, uma paisagem, muitas histórias."O homem tupi-potiguar de Genipabu, sozinho e acompanhado, no século XVI" (SENN...
17/02/2025

Jenipabu, uma paisagem, muitas histórias.

"O homem tupi-potiguar de Genipabu, sozinho e acompanhado, no século XVI" (SENNA, 1974, p. 346) assim começa um tópico chamado de "setor 9 - antropologia" em que Júlio Gomes de Senna (1892-1972) vai tratar sobre a gênese do município de Ceará-Mirim em seu livro póstumo intitulado "Ceará-Mirim: exemplo nacional" em que, através de suas vivências e analises feitas desde o início do século XX, e praticamente por toda sua vida, o autor se dedicou a estudar o povo e o território Ceará-Mirinense.

Genipabu, ou, para se aproximar mais da palavra original em tupi, Jenipabu (hoje litoral do município de Extremoz), que na tradução livre significa Rio dos Jenipapos, foi palco de muitas histórias fantásticas sobre a resistência do povo que Senna chama de "tupi-potiguar" e que diversos autores também vão chamar de potiguares, gentil da língua geral ou Poriguara, etnia indígena que, de acordo com Júlio Senna (1974) habita o litoral potiguar há pelo menos 2 mil anos.

Segundo o autor, o povo Potiguara deixou Jenipabu para ir construir nova aldeia em Guajiru após a saída dos Fraceses que alí viviam a quase cem anos, convivendo e negociando com os Potiguara de Jenipabu / Guajiru de 1501 a 1599, tendo ali e em outras praias da região. Durante esse período houveram pelo menos quaateo grandes derrotas de esquadras portuguesas no litoral norte do RN, a primeira, segundo Araújo Júnior (2019) ocorreu em 1501 no Cabo de São Roque, em 1535, com 10 navios e 900 homens o português Ayres da Cunha também foi derrotado pela nação Potiguara em Jenipabu (Araújo Júnior, 2019), em 1555 foi a vez de resistir a invasão contra os filhos de João de Barros em tentativa de colonizar a região (Araújo Júnior, 2019, p. 61), além de outras batalhas e derrotas portuguesas em solo potiguar descritas por Senna (1974).

Ou seja, ninguém se iludiu por espelhos, como tanto narram, houveram diversas batalhas e muita resistência frente a colonização, e essa paisagem das fotografias aqui nesse post, foi palco de muita resistência do povo Potiguara do litoral norte do estado, também identificado como Ibirapi em diversas outras obras.

Festividades de Nossa Senhora da Conceição na aldeia dos Fulni-ô em Águas Belas - PE.Em cada pequeno detalhe moram demon...
12/02/2025

Festividades de Nossa Senhora da Conceição na aldeia dos Fulni-ô em Águas Belas - PE.

Em cada pequeno detalhe moram demonstrações de fé e respeito à ancestralidade. Uma cultura pulsante e contagiante que o povo Fulni-ô luta com firmeza para manter viva.

Salve a força dos povos indígenas 🏹

7 de fevereiro, dia nacional de luta dos povos indígenas, é sobretudo uma data para lembrar que, ser indígena no Brasil ...
07/02/2025

7 de fevereiro, dia nacional de luta dos povos indígenas, é sobretudo uma data para lembrar que, ser indígena no Brasil não é privilégio, é ainda ter que sobreviver em um mundo que quer te ver extinto, assim como, por mais de um século os historiadores e intelectuais locais tanto escreveram sobre o desaparecimento dos povos originários do RN, com ideias eugenistas e evolucionistas, cunhavam um tipo de "leitura racial" e social, racistas, de um tipo de pensamento presos a padrões de uma pseudo ciência do século XIX, para impor um tipo de estereótipo que sempre esteve distante da nossa realidade e assim, invisibilizar as dezenas de comunidades indígenas pelo estado, que, tradicionalmente ocupam os territórios habitados pelos seus ancestrais.

Somos contemporâneos, existimos e resistimos em diversas comunidades de norte a sul e de leste a oeste do território POTIGUAR, com diversos tipos de organizações sociais e políticas, enfrentando séculos de colonização, colonialismo e capitalismo, mantendo os modos tradicionais em nossas práticas diárias e culturais. Lutamos contra a invisibilidade, pelo direito de continuar existindo em nossos territórios, por moradia digna, por educação e saúde diferenciada, e, principalmente, pela demarcação dos territórios indígenas no RN.

Lembranças do ATL em Brasília (Acampamento Terra Livre) do ano passado, em que estivemos na luta ao lado de milhares de parentes pela garantia dos nossos direitos.

A luta indígena é coletiva, milhares de famílias indígenas no estado precisam acessar as políticas públicas que são responsáveis por melhorar a vida dessa população em vários sentidos. Por tanto, a data de hoje precisa ser evidenciada, e a luta do movimento indígena do estado vai continuar forte. Para este ano, você poderá contribuir com essa luta através de uma campanha no

Fotos:
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3
6 retratando a participação de mulheres indígenas de Aningas em um toré, exaltando a ancestralidade.

Vídeos são de entrevistas para TV Câmara e TV Assembleia

Lembranças de um dia nublado de 2020.Fotografias feitas nos municípios de Serra Caiada, São José do Campestre, Serra de ...
06/02/2025

Lembranças de um dia nublado de 2020.

Fotografias feitas nos municípios de Serra Caiada, São José do Campestre, Serra de São Bento e Passa e F**a. Se você conhece o Rio Grande do Norte, consegue identificar quais fotos foram feitas em cada um desses lugares?

Mil fotos e ainda não conseguiria transmitir a beleza das paisagens e pessoas potiguares, mas nossa ancestralidade é nítida em nossa gente e cultura milenar. Saudades de cada troca de olhar.

Nas folhas do milharal, nas nuvens beirando as serras, no fruto do mandacaru, nas longas caminhadas, na fumaça do ca****bo da vovó, no cultivo do feijão, debaixo de chuva, no pé da serra um roçado de mandioca, tudo vira poesia imagética pro caboclo que vive a buscar através do seu olhar, a força da cultura ancestral do povo do seu lugar.

Foto 19 e vídeo 20 por
Eu com a maior barba que já tive.

****bo

Hoje às 18:30, teremos uma sessão especial de cinema na praça de Aningas.O projeto  estará em nossa comunidade exibindo ...
15/01/2025

Hoje às 18:30, teremos uma sessão especial de cinema na praça de Aningas.

O projeto estará em nossa comunidade exibindo 3 filmes:
* A TRADICIONAL FAMÍLIA BRASILEIRA KATU
* DIÁLOGOS INDÍGENAS NO NOSSO TEMPO
* YBY KATU

O projeto é realizado por jovens indígenas do povo Potiguara Katu e leva cinema itinerante para comunidades indígenas do RN.

Todos e todas estão convidados para vivenciar a magia do cinema!

No alto da Serra da Carrapateira em Ruy Barbosa, o gado vai beber água, os perus e bodes andam pelo terreiro em busca do...
05/01/2025

No alto da Serra da Carrapateira em Ruy Barbosa, o gado vai beber água, os perus e bodes andam pelo terreiro em busca do alimento, enquanto os verdelim posam nas cercas olhando o povo que vai e vem. Quando dá de tardezinha na calçada de dona Jandira a conversa corre solta, seu Miguel, Zé de Oliveira e quem chegar vão contando histórias antigas da gente daquele lugar.

Vaquejada de sábado em AningasTradição do vale do Ceará-Mirim, encontro de gerações, paixão da juventude, fé, herança an...
23/12/2024

Vaquejada de sábado em Aningas

Tradição do vale do Ceará-Mirim, encontro de gerações, paixão da juventude, fé, herança ancestral. O vaqueiro, personagem centenário dos sertões e também dos tabuleiros do litoral, é uma das mais antigas profissões e forte cultura do interior do Rio Grande do Norte, inclusive nas comunidades tradicionais.

O conhecimento é repassado de uma geração para outra, homens e mulheres correm nas vaquejadas. O bom resultado depende de uma vida dedicada aos treinos.

Historicamente falando, nos primeiros séculos da colonização, ao adentrar no sertão, em busca de pasto, em um território totalmente desconhecido, os colonos precisavam fazer parcerias com os indígenas, na maioria, dos troncos linguísticos macro-jê e outros povos de línguas isoladas (Tapuias) que eram quem conheciam as matas, serras, rios e brejos. Por causa disso, os povos originários eram indispensáveis para quem quisesse adentrar o sertão para sobreviver e empreender na caatinga.

Segundo a historiografia, e inclusive de acordo com o próprio Câmara Cascudo, os indígenas eram os melhores vaqueiros, tapuias e seus descendentes, apelidados de caboclos, hoje chamados de sertanejos. Pois, de acordo com os historiadores, os donos de sesmarias, grandes fazendeiros não moravam nas suas terras, grande parte era do Recife e de outras cidades, o trabalho era mesmo dos nativos e aí se mantiveram nessa tradição.

Nas fazendas do sertão, na época em que eram apenas para criação de gado, eram poucos funcionários, os donos quase nunca apareciam, os vaqueiros tinham como pagamento parte dos animais que nasciam, e assim, também foram se tornando proprietários de gados e adquiriram terras. Houveram também trabalhadores escravizados que na lida com o gado, ganhavam as reses dos acordos feitos com os proprietários, para uma quantidade nascida de bezerros, uma parte era de quem tomava conta, assim algumas alforrias foram compradas.

Hoje, a tradição é mantida, a prática da pega do boi no sertão, as vaquejadas em todo estado, mas, quase ninguém fala de como surgiram os primeiros vaqueiros e consequentemente as vaquejadas.

Foto 20 por

Vaquejada de sábado em AningasTradição do vale do Ceará-Mirim, encontro de gerações, paixão da juventude, fé, herança an...
23/12/2024

Vaquejada de sábado em Aningas

Tradição do vale do Ceará-Mirim, encontro de gerações, paixão da juventude, fé, herança ancestral. O vaqueiro, personagem centenário dos sertões e também dos tabuleiros do litoral, é uma das mais antigas profissões e forte cultura do interior do Rio Grande do Norte, inclusive nas comunidades tradicionais.

O conhecimento é repassado de uma geração para outra, homens e mulheres correm nas vaquejadas. O bom resultado depende de uma vida dedicada aos treinos.

Historicamente falando, nos primeiros séculos da colonização, ao adentrar no sertão, em busca de pasto, em um território totalmente desconhecido, os colonos precisavam fazer parcerias com os indígenas, na maioria, dos troncos linguísticos macro-jê e outros povos de línguas isoladas (Tapuias) que eram quem conheciam as matas, serras, rios e brejos. Por causa disso, os povos originários eram indispensáveis para quem quisesse adentrar o sertão para sobreviver e empreender na caatinga.

Segundo a historiografia, e inclusive de acordo com o próprio Câmara Cascudo, os indígenas eram os melhores vaqueiros, tapuias e seus descendentes, apelidados de caboclos, hoje chamados de sertanejos. Pois, de acordo com os historiadores, os donos de sesmarias, grandes fazendeiros não moravam nas suas terras, grande parte era do Recife e de outras cidades, o trabalho era mesmo dos nativos e aí se mantiveram nessa tradição.

Nas fazendas do sertão, na época em que eram apenas para criação de gado, eram poucos funcionários, os donos quase nunca apareciam, os vaqueiros tinham como pagamento parte dos animais que nasciam, e assim, também foram se tornando proprietários de gados e adquiriram terras. Houveram também trabalhadores escravizados que na lida com o gado, ganhavam as reses dos acordos feitos com os proprietários, para uma quantidade nascida de bezerros, uma parte era de quem tomava conta, assim algumas alforrias foram compradas.

Hoje, a tradição é mantida, a prática da pega do boi no sertão, as vaquejadas em todo estado, mas, quase ninguém fala de como surgiram os primeiros vaqueiros e consequentemente as vaquejadas.

Sy em tupi é mãe'ara em tupi é diaMirim em tupi pequenoSem perder sua maestriaCeará-Mirim é mãeOnde raia o amanhecerRio ...
21/11/2024

Sy em tupi é mãe
'ara em tupi é dia
Mirim em tupi pequeno
Sem perder sua maestria

Ceará-Mirim é mãe
Onde raia o amanhecer
Rio que carrega histórias
Em terra de florescer

Sy'ara-mirim é mãe
Parindo alvorecer
Carregando em suas águas
Seus filhos que viu crescer

Sy'ara-mirim que é mãe
Desse povo Potiguara
E em terra Ibirapi
Faz o dia ressurgir

Fiz essa foto em 2017 no rio Ceará-Mirim na altura de Poço Branco, e é uma das fotos mais significativas pra mim, dedico a poesia para você filha, pelo seu aniversário. Resgato essa fotografia para contar uma história centenária sobre nós, sobre nossos ancestrais.

Versos que escrevi hoje, repensando nossa história, nossa ancestralidade, e também as traduções errôneas que se fazem das nossas palavras em Tupi. Faz um tempo que venho refletindo sobre o significado desse rio para nosso povo, sua posição geográfica e a etmologia em nosso idioma Tupi Potiguara. Ceará-Mirim é um rio que nasce em Lajes do Cabugi, deságua no mar em Barra do Rio. Quando o sol está nascendo. Nossos povo agricultor, sempre madruga para ir para as lavouras, assistem o dia nascer na vazante desse rio, onde a luz do sol faz sua água ficar dourada. O rio é mãe pois dele o alimento brota, para criar seus filhos, dali também vem o peixe e tudo mais que precisamos para nossa subsistência.

Na etmologia da palavra em Tupi SY é mãe e 'ARA é dia, logo Sy'ara é mãe do dia, Mirim vem porque no Ceará tem um rio de mesmo nome bem maior, por isso do daqui ficou Sy'ara-mirim. Syara é uma das grafias em mapas antigos para dar nome ao rio Ceará-Mirim, nosso Sy'ara-mirim, rio que há milênios alimenta o povo Potiguara nessas terras potiguares.

Esse rio carrega a história dos nossos ancestrais, nas margens dele do sertão até Pirapora (Poço Branco) migraram nossos antepassados Pixoré, nas margens dele em Ceará-Mirim sempre estiveram nossos ancestrais Potiguara. Foi nas margens desse rio que eu nasci, assim como nossos mais velhos também. Sy'ara-mirim é nossa grande mãe, avó, bisavó, etc.

Obrigado por tua força e resistência,  nossa eterna veterana! Feliz por ter conhecido alguém tão guerreira, sempre no fr...
29/10/2024

Obrigado por tua força e resistência, nossa eterna veterana! Feliz por ter conhecido alguém tão guerreira, sempre no fronte! Nas lutas diárias, no eu sempre observei e aprendi bastante com você.

Sua voz ecoará para sempre!!!

Nesta sexta-feira, 07/07 no setor II da UFRN, sala G2, das 16:30 às 18:30 acontecerá uma mesa redonda para dialogar com ...
05/07/2023

Nesta sexta-feira, 07/07 no setor II da UFRN, sala G2, das 16:30 às 18:30 acontecerá uma mesa redonda para dialogar com o trabalho de Thiago Cóstackz sobre à história da resistência e retomada ancestral indígena de Ceará-Mirim.

O encontro é uma iniciativa do grupo de estudos indígenas Okarusu Pytã, juntamente com o Coletivo Autônomo Lima Barreto e com a coordenação de povos indígenas do CACS.

Endereço

Rua Cortez Pereira
Natal, RN
59072600

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