meuolharnoteu

meuolharnoteu A permissão de se ver sob minha perspectiva: o meu olhar no teu exalta a beleza dos encontros e das singularidades.

Reza a lenda que depois que o caos nos visita, a vida ressurge em papoulas vermelhas floridas. Mas sigo, com pupilas e p...
09/05/2020

Reza a lenda que depois que o caos nos visita, a vida ressurge em papoulas vermelhas floridas.
Mas sigo, com pupilas e papoulas em água, a sentir tudo que o agora ensina: não se p**a pro fim, crise só passa quando é percorrida. Lamento os lutos, lacrimejo pesares, rezo pela dor do mundo e espero.
Ainda sim relembro lendas, as trago pra minha narrativa, respiro fundo e vislumbro pelo dia em que os campos a fora f**arão cheios de papoulas a dançarem com o vento, anunciando em vermelho o início dos novos tempos que a gente tanto espera.
Antes, pétala por pétala, a viver e a sentir um dia de cada vez, até que floresça
e se faça
primavera.

Décimo quinto dia de quarentena.O caos da nudez é caos de se ver. E não digo da imagem refletida no espelho. Não me refi...
27/03/2020

Décimo quinto dia de quarentena.
O caos da nudez é caos de se ver. E não digo da imagem refletida no espelho. Não me refiro ao corpo, aos pêlos, aos tamanhos e formatos - mesmo que por vezes te assustem também. Me refiro ao encontro compulsório de você com você mesmo nessa encruzilhada doméstica da sala pro quarto, do quarto pra cozinha, obrigado a se ver, obrigado a SER.
Ser nu sem suas distrações e suas fugas diárias. Ser nu ao avesso de ser robotizado, todo medo e desejo desmascarado.
Nunca pensou em conviver tanto consigo mesmo e agora quase pra enlouquecer, para, se encara e pensa: quem é você?

Décimo ou décimo primeiro dia de quarentena.Tento olhar mais para dentro, mas só consigo olhar para fora. Procuro palavr...
23/03/2020

Décimo ou décimo primeiro dia de quarentena.
Tento olhar mais para dentro, mas só consigo olhar para fora. Procuro palavras e tento escrever, mas parece que o silêncio do quarto pousa até nessas linhas.
Trancado o corpo em casa, meus olhos divagam pela vizinhança, minha mente vagueia pelo mundo. To no Brasil, na Itália, na China. To por tudo e tudo está em mim.
Olho para a vizinha que também na janela está, a vejo a olhar para outras janelas também – são tempos de recolhimento coletivo.
Penso em como mesmo isolados permanecemos conectados. A pandemia é só mais uma prova, um escracho, de que não faz sentido não agirmos e pensarmos coletivamente. Um está interligado no outro.
Olho de novo pra ela que sorri de canto da boca pra mim. Penso que nunca estou só.
Sorrio de volta e penso melhor: nunca estamos.

Mais um dia de quarentena. À noite pernambulei pelo meu inconsciente, recordei momentos e criei novas histórias, acordo ...
17/03/2020

Mais um dia de quarentena.
À noite pernambulei pelo meu inconsciente, recordei momentos e criei novas histórias, acordo nostálgica, ocupo a cabeça, leio Lacan na premissa de não perder-me onde aprendo – ou quase. O desejo é o desejo de desejar. Lembro do sonho, não conto, não busco por mais, não lamento a falta, nem me perco num pesar. Degusto parcialmente o encontro, deleito vagamente a vontade e eternizo o desejo no desejar.

Tira todos os pesos. A roupa, a dor, o cansaço, a vergonha e deixa a água levar. Deixa a água lavar. Nesse rio que nunca...
14/03/2020

Tira todos os pesos. A roupa, a dor, o cansaço, a vergonha e deixa a água levar. Deixa a água lavar. Nesse rio que nunca é o mesmo, nada f**a igual, a correnteza leva o que o rio era, leva o que eu também fui.
Me despeço dele e do que precisava ir, e com o corpo ainda molhado dessas águas doces revigoro, renasço, me apronto - só eu sei do caminho de volta pra mim.
Pra voltar ao centro, cada um com seu qual, guia, refúgio, prece, orixá.
Pra onde vais quando precisas voltar?
Filha de Oxum

Ao avesso do caos, anacrônica, areja, respira,sente.
06/03/2020

Ao avesso do caos, anacrônica,
areja,
respira,
sente.

Você olha lá pra fora, se olha no reflexo. Eu te olho do meu lado, te olho por reflexo. Lente, espelho e vidros nos cerc...
05/03/2020

Você olha lá pra fora, se olha no reflexo. Eu te olho do meu lado, te olho por reflexo. Lente, espelho e vidros nos cercam, trazem à tona a ideia genuína de um projeto que agora chamo de convite. Meu Olhar no Teu se soma com todos esses outros olhares, mas a câmera só pega um detalhe, o espelho só um ângulo, e a minha aposta agora é pra onde você olha.
Imagino o reflexo do seu rosto se esvanecendo com a infinitude do horizonte desses montes verdes, o ruivo brilhando e terminando em sol, o dourado da pele e da aura sendo o mesmo das cinco da tarde em Pium.
São paisagens que já não diferencio - tudo é poesia, força e imensidão, tudo é beleza infindável.
Me pergunto qual a imensidão você vê, se é a de fora ou a de si, ou se as duas agora também se tornam só uma pra ti @ Pium, Rio Grande Do Norte, Brazil

O dia cai enquanto a gente conversa sobre elementos. Ela aproxima os pés firmes no chão e me explica como ser terra - cr...
04/03/2020

O dia cai enquanto a gente conversa sobre elementos. Ela aproxima os pés firmes no chão e me explica como ser terra - criar a firmeza, o foco, o pertencimento. Conta do seu corpo pitta que carrega o fogo, aquele que aquece, queima e transmuta, e que reconhecera na ayuveda há uns anos atrás, ao tempo que a gente sente os últimos instantes de sol na pele. A lua cheia nasce no mar e o silêncio pousa. Ela se levanta com o lenço e ainda não diz nada.
Seu corpo sopra movimentos contínuos, fluídos. Sua coluna se curva enquanto as mãos floreiam o invisível. Ela dança na ausência de qualquer peso, no sublime do ar, e eu entendo que agora ela fala de outro elemento que carrega em si. Tem forças que não cabem em palavras. Como a força e a leveza do vento. A força e a leveza da Lara.

Subo andares da minha própria construção. É o único lugar onde me encaixo, onde me camuflo. Entre luzes e sombras deste ...
28/11/2019

Subo andares da minha própria construção. É o único lugar onde me encaixo, onde me camuflo. Entre luzes e sombras deste lugar, deste universo que chamo Eu, subo pra conhecer os cômodos, percorro entranhas. Espio entre lacunas, vejo erros. Rachaduras. Me apresso e rodopio numa espiral das minhas próprias escadas. Tonteio, canso, penso, criei um labirinto? Estico os braços, me abro em janelas, reavivo a calma e tranquilizo - não há linha de chegada e nem pressa pra conhecer o meu próprio edifício.

Na poesia das manhãs quentes e silenciosas, com um toque aveludado no rosto, vagarosamente ela começa o dia com a leveza...
25/09/2019

Na poesia das manhãs quentes e silenciosas, com um toque aveludado no rosto, vagarosamente ela começa o dia com a leveza e a certeza de hoje estar no lugar certo - dentro de si mesma.

O manifesto do corpo em pleno manicômio, a gritar em movimentos e músculos pra destravar todos as regras e controles que...
01/09/2019

O manifesto do corpo em pleno manicômio,
a gritar em movimentos e músculos pra destravar todos as regras e controles que opuseram.
Nossa liberdade é uma loucura? Nossa arte, censura? Nossa nudez, uma ofensa?
Muitas perguntas, racionalidade e repressão a fazer suar de nervoso e travar esse corpo que só quer falar.
Dançar.
Viver.
Pulsar.

O florescer do feminino Hoje sonhei com uma amiga a pedir ajuda para se sentir. Sentir seu corpo, seus prazeres, se sent...
30/08/2019

O florescer do feminino
Hoje sonhei com uma amiga a pedir ajuda para se sentir. Sentir seu corpo, seus prazeres, se sentir como mulher. No próprio sonho, assim como acontece nesta outra dimensão, indiquei que visse o conteúdo da . Acordei lembrando dessa foto que fiz dela e que retrata exatamente sua busca, a minha e a da amiga do sonho: a de florescer como pessoa, como mulher. E para que as folhas cresçam assim, é preciso que saibamos cuidá-las. Só o auto conhecimento nos faz enxergar o que somos e o que podemos ser.
E, assim como as flores e toda a natureza, germinamos, brotamos e florescemos diferentemente em cada estação. Cada fase do nosso ciclo requer cuidados e cada detalhe nosso merece ser aceito.
É aceitando cada e toda parte que nos amamos por inteira.
Somos cíclicas; somos mulheres; somos inteiras. .

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Pium, PB

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