04/04/2026
Há quase 2 anos, fui atravessado por uma experiência inesperada. Filmava os Jogos dos Povos Indígenas de Minas Gerais, na Terra Indígena Fazenda Guarani, quando encontrei as ruínas de um presídio onde indígenas de diversas etnias foram aprisionados durante a Ditadura Civil-Militar.
A partir daí, me dediquei a uma investigação extensa, atravessada por arquivos, deslocamentos e encontros. Foram meses de trabalho de busca por documentos produzidos pela Polícia Militar e pelo Estado, que resultaram em milhares de páginas dos arquivos dos Reformatórios Agrícolas Indígenas Krenak e Fazenda Guarani, que revelam a violência contra indígenas de mais de 20 etnias, submetidos à escravidão, tortura e confinamento.
Esse caminho me levou ao encontro com o povo Krenak. Percorri mais de 10 mil quilômetros, entre arquivos, aldeias e estradas, encontrando parentes desterrados e acompanhando retornos marcados por décadas de separação.
O filme Nhuk Nak Nengãn: Aqui é a minha terra, codirigido com e realizado em aliança com o povo Krenak, nasce dessa travessia.
Nos últimos dias, defendi essa pesquisa de mestrado no PPGCOM-UFMG e compartilhei o filme em sessão no Cine Santa Tereza. Encerrar esse ciclo carrega uma alegria atravessada por tudo o que foi vivido.
Agradeço profundamente à banca, composta por , e , pela leitura, partilha e por tantas contribuições.
À minha orientadora, Luciana de Oliveira, pela inspiração, pelo acompanhamento em todo o processo e pela coragem compartilhada.
À equipe do , pela disponibilidade e pelo cuidado com a sessão. Ao e Ana Carol por terem se juntado e trazido seus alunos para esta partilha.
A todas as pessoas presentes, pelo carinho e pela escuta atenta.
Ao meu pai e à minha mãe , e às amigas e aos amigos que me acompanharam desde o princípio, pela presença e pela sustentação ao longo do caminho.
E ao povo Krenak, pela confiança e trabalho conjunto.
Seguiremos na luta!
Ererré!