Exposição – F/42
Texto
De Ciça Carboni
A lente como um olho, pode tudo ver ou tudo perder. A fotografia é, ao mesmo tempo, um todo que inclui a descoberta e exclui a possibilidade de ver algo, tal como um piscar de olhos. Numa fração mínima do tempo, algo se perde e se ganha na imagem. Sua presença é tão forte, que mesmo quando ausente é notada. E quais planos da imagem se quer revelar? A sombra
e o breu ou o brilho e a luz? Tal qual o fotômetro ou o anel da máquina que oferece pontos de abertura de luz (espaço) e de velocidade (tempo), a imagem também oferece gradações, contrastes, tonalidades e escolhas. E o que afinal iremos revelar aqui? Pouca luz num mergulho profundo, as possibilidades de múltiplos perfis de recém-chegados fotógrafos ao fantástico e misterioso universo da imagem, essa representação da superfície de um tempo e espaço, seja ela na linguagem que for. Linguagens essas trabalhadas em diversas disciplinas ao longo dos dois anos do curso, como fotojornalismo, fundamentos do audiovisual, iluminação de estúdio, arquitetura, produção de portfólio, além da compreensão de outros conteúdos, que dão suporte na vida profissional de cada um. E apesar da pouca abertura, nesse caso, metáfora mais apropriada não há, quem revela não é o primeiro plano, o evidente, mas sim, o esforço de fazê-lo na pouca luz, se colocando em seus escassos feixes, para buscar revelar o profundo que há no estado de espírito de cada um desses fotógrafos. Porque mesmo assim e como suas fotografias, eles foram revelados e chegaram, até aqui.