28/12/2022
Já coloquei pessoas, coisas e até sonhos alheios na frente dos meus desejos. Inúmeras vezes. O fato é que eu tomei decisões, nas quais elas optam 100% por mim, o que reforça na mente dos que não me conhecem (de verdade) que meu nível de arrogância aumentou. Afinal, o silêncio que computa a dúvida é mais fácil chamar de arrogância do que uma oportunidade de auto análise.
Morei um ano em São Paulo, visitei lugares maravilhosos e acessei emoções que nem sabiam que existiam. Adoeci, quase não voltei. Foi uma jornada cansativa e alcancei uma segunda chance. Confessei meus erros. Há um pouco de inércia. Se eu pudesse fazer com que a minha mente repetisse os mesmos passos do meu corpo, talvez eu estaria me questionando menos mas reconheço a inquietação que há nessas 21g de alma. Ainda bem.
O ano já está acabando e esse foi diferente de tudo que já vivi: tomei decisões difíceis, encarei uma casa do zero, convivi bem mais com a saudade, chorei bastante, gargalhei tanto, tanto e acima de tudo, abdiquei dos confetes solitários (a gente só costuma perceber depois que se afasta). Eu insistia em tê-los e quando parei, me via sozinha nessa pista de dança. A doença física não é dos piores males. Tudo se regenera. O coração é como um cristal. Essa cola não está à venda.
Estou vivendo uma fase da minha vida que a fotografia tem sido um mecanismo de recordação para as coisas boas que faço, que vivo e que compartilho, principalmente com meus pouquíssimos amigos e, em especial, minha maravilhosa família. À eles devo todo o sentido dessa rota. Isso inclui o Rodrigo. Ao lado dele, descobri um mundo mais leve e sereno.
Bogotá| 2022