02/09/2026
2026 Cecilia São Thiago
Há uma iPhoneography que sempre me fascinou, não IA, aquela em que a fotografia não termina no instante do clique. É apenas o começo. A imagem passa pelas mãos do artista, atravessa aplicativos, camadas, fusões, transparências, texturas, distorções, até deixar de ser simplesmente fotografia para se transformar em imagem de arte.
Foi justamente essa liberdade que me fez admirar tanto a Mobile Art: a possibilidade de desconstruir a fotografia, subverter sua aparência, errar deliberadamente, misturar linguagens e construir algo que talvez jamais pudesse existir diante de uma câmera.
Sinto falta disso. Tenho visto cada vez menos, nos perfis de artistas de mobile art, aquela experimentação radical que caracterizou o movimento em seus primeiros anos. Vejo muitas fotografias bonitas, tecnicamente impecáveis, mas poucas imagens em que reconheço a presença do aplicativo como ferramenta de criação, e não apenas de correção.
Para mim, iPhoneography nunca foi simplesmente fotografar com um iPhone. É criar dentro dele. É quando o dispositivo deixa de ser apenas câmera e se transforma em laboratório, ampliador, pincel, tesoura, tinta e matéria.
Talvez seja dessa Mobile Art que eu tenha saudade: menos perfeição, mais invenção. Menos fotografia pronta, mais imagem por construir.