01/06/2017
Projeto fotográfico de paulistano propõe reflexão sobre a pichação no centro da capital
“Quem não é visto não é lembrado”, como já cantou Mano Brown. A necessidade de ocupar o espaço público e deixar seu registro pela cidade não vêm de hoje. Contestar seu valor histórico e artístico também não. Sendo a principal forma de expressão da plebe, a pichação começou no Império Romano e, desde aquela época, era não só discriminada como também reprimida.
Dentro desse contexto polêmico, Fellipe Lopes, fotógrafo paulistano, engajado em produções artísticas audiovisuais, criou o [CentrøPixø], série fotográf**a que propõe uma visão analítica e sensível sobre o pixo.
Em seus passeios pela cidade, a pé ou com sua bike, o artista capturou o cotidiano das pessoas, focalizando na presença das pichações como plano de fundo da vida delas.
“O pixo é protesto visual, livre expressão e é grito de liberdade. Ele está lá, resistindo, no caminho do trabalho, indo pro rolê, todo dia, toda hora e em todo lugar. Muitas vezes passa despercebido, mas faz parte da vida da gente. É o ‘plano de fundo’ na Babilônia paulistana, refletindo o caos de uma sociedade injusta’’ comenta.
[CentrøPixø] levanta a discussão sobre a predominante presença do pixo na região central e o quanto ele vai desaparecendo de outras áreas mais elitizadas da cidade. “Comecei pelo centro velho: Sé, República, Anhangabaú, e fui subindo a Augusta. Pouco antes de chegar na Paulista as pichações começam a sumir e na avenida mais famosa de todo o rolê, já não se acha pixo nenhum”.
A Pichação é uma prática que pode ser encarada por muitos como manifesto– escrita contestatária, por ser, desde sua origem, expressão gratuita, subversiva e que rompe certos valores sociais das classe dominantes. Bate de frente com a questão do que é arte, do belo e da liberdade de expressão.
O fato é que ela já faz parte da paisagem urbana de forma orgânica e sua existência pode ser considerada uma interferência espacial característica de uma cidade como São Paulo.
Photos Fellipe Lopes