31/08/2026
Hoje apresento-vos a minha nova Fujifilm X-T5 ❤️
Esta publicação não é, na verdade, apenas sobre uma
câmara que eu queria muito . É sobre o amor.
É sobre o meu pai.
Eu não pedi esta câmara. Não lhe falei dela. Depois de ir a um workshop de fotografia, falei com a minha mãe sobre uma câmara de que tinha gostado. Ela comentou com o meu pai e, desde esse dia, ele não parou de falar da câmara.
Todas as semanas ele falava da câmara.
Eu dizia ao meu pai que esta câmara era cara.
Ele continuava.
“Filha, mas essa câmara quanto custa? demora muito a chegar?”
“Será que tem no Japão? Quanto é uma passagem para o Japão?”
Magui : não compensa, tem em Lisboa pai. 😆
Papi : compensa ir lá, vai buscar a câmara.
O primeiro ordenado do mar do meu pai foi para a minha câmara. O primeiro ordenado da pesca foi para a câmara da filha.
Eu não consigo falar disto sem pensar no trabalho que está por trás desse dinheiro.
A pesca não é fácil.
São noites mal dormidas. São madrugadas. São dias longe de casa. É acordar sem saber como vai correr o dia, sem certezas sobre o que o mar vai dar. É cansaço, frio, esforço e preocupação. É trabalhar sem garantias de que o esforço de hoje vai trazer alguma coisa amanhã.
No meio de tudo isto, o meu pai pensava numa coisa que eu gostava.
Guardou na cabeça a câmara de que eu tinha falado com a minha mãe e foi juntando, pensando e procurando até conseguir.
Eu sei o quanto ele ficou feliz e entusiasmado quando finalmente “eu a comprei “. Talvez até mais feliz do que eu.
É que mais me toca.
Não foi só uma câmara.
Foram horas de trabalho.
Foram noites mal dormidas.
Foi esforço.
Foi sacrifício.
Foi dinheiro ganho com muito trabalho.
Foi amor.
Não tenho vergonha de dizer que o meu pai me deu esta câmara. Não tenho vergonha de mostrar que fui mimada, cuidada e amada. Tenho orgulho.
Sei que muitos ganham uma câmara dos pais e depois agem como se tivessem sido eles próprios a comprá-la. Talvez por vergonha. Eu não.
Eu partilho isto precisamente porque tenho orgulho.
Orgulho do meu pai.
Orgulho do esforço dele.
Orgulho do amor que ele demonstra por mim.
Orgulho de poder dizer que tenho um pai que, mesmo sem eu pedir, ouviu um sonho meu e fez tudo para o tornar realidade. Eu pensei que teria esta câmara daqui a uns aninhos. Os sonhos realizam-se.
Eu sei que ele não tem Facebook mas quero que todos saibam que existe um homem que não descansou enquanto não conseguiu oferecer à filha aquilo que ela tanto gostava.
Tenho 26 anos e vou ser sempre a menina dele.
Isso não me envergonha. Pelo contrário. É uma das coisas de que mais me orgulho.
Sempre me senti amada, protegida e cuidada pelos meus. Eu sei bem a “ sorte “ que tenho.
Pai, tu sabias o quanto eu gostava desta câmara.
Eu disse apenas à mãe.
Tu ouviste e nunca mais te esqueceste.
Obrigada por acreditares nos meus sonhos.
Obrigada por trabalhares tanto.
Obrigada por cada noite mal dormida, por cada madrugada, por cada esforço que ninguém vê.
Obrigada por me apoiares.
A câmara é minha mas o que ela representa é nosso.
Cada fotografia que eu tirar com ela vai levar um bocadinho de ti.
Obrigada, pai. ❤️
Vou ser sempre a tua menina!