30/12/2023
2023 foi o meu ano das coisas novas.
A palavra ‘freelancer’ tornou-se mais presente no vocabulário do meu dia-a-dia e, com ela, tive de aprender a gerir coisas novas e outras não tão novas assim, mas que ganharam uma nova roupagem. O tempo, que agora me dizem que é todo meu para gerir como quiser, que é também a maior falácia do mundo enquanto não aprender a gerir também a capacidade de dizer que não - porque o ‘sim’ me tem tirado demasiado tempo para as coisas realmente importantes. O pesadelo louco da contabilidade, esse bicho-papão do mundo dos adultos que ninguém nos ensinou na escola. As saudades que sinto diariamente duma redacção - que continua a ser o melhor lugar do mundo -, mas também o entusiasmo de trabalhar e viver agora do outro lado do espelho, a proximidade com os clientes e as relações bonitas que daí nascem, a possibilidade de experimentar um pouco de tudo, a imprevisibilidade que me deixa louca todos os dias mas sem a qual percebo, perante qualquer balanço que faça, que não sei mesmo viver. No meio deste caos incrível, há o , uma constante de paz que me deu um regresso à música clássica - que é o mesmo que dizer infância, um lugar que é casa -, mas também estas pessoas que têm entrado na minha vida e que me parece sempre que já cá estão há bem mais tempo do que isso.
O problema do caos é mesmo esse: raramente nos permite tempo para pensar. E é por isso mesmo que os balanços são, afinal, tão importantes, mesmo quando temos pouco ou nenhum jeito para os fazer: quando paro e penso, percebo e valorizo o privilégio que tenho, não só de fazer o que amo mas, acima de tudo, por ter também quem mo permite fazê-lo - e ser tão feliz assim. Tem sido uma bela aventura. Obrigada. Vemo-nos em 2024! 🤍