10/06/2026
Sobre estar “On Call”.
Ainda não sei como responder quando me perguntam porque escolhi fazer fotografia de parto. Escolhi, é verdade. Houve um momento em que escolhi fazê-lo e esperei dois anos até conseguir fotografar o primeiro parto. Acredito que não aconteceu por acaso. E o mais curioso é que a bebé nasceu uns dias antes das 38 semanas, quando eu ainda não estava oficialmente “On Call”.
Estar de plantão para poder estar presente num parto é para mim um privilégio gigante. É muito mais do que trabalho. Vai muito além de uma experiência. É uma transformação constante. É um estilo de vida.
É um estilo de vida cheio de desafios. Um compromisso que exige muito de quem acompanha partos. É uma gestão diária de rotinas, trabalhos, refeições, horas de sono, momentos em família, férias, comemorações importantes com as quais não nos podemos comprometer. É por vezes, ter de cancelar alguma coisa à última hora, porque tenho de ir ao encontro de uma família. É sair de casa assim que sou chamada, a qualquer hora do dia ou da noite e não fazer ideia de quando vou voltar. É ter disponibilidade total.
Ser fotógrafa de parto é um trabalho muito muito intenso que, mesmo com uma grande preparação, muitas vezes absorve toda a minha energia. Ao mesmo tempo, ao estar num parto também recarrego energias, das boas.
É o trabalho mais gratificante que fiz na vida! E acredito verdadeiramente que as fotografias de parto têm um valor imensurável.