05/09/2026
Mostra de Fotografia e Autores – MFA Lisboa 2026
A Mostra de Fotografia e Autores – MFA Lisboa regressa para a sua 4.ª edição, entre setembro e dezembro, com uma programação dedicada à fotografia de autor e documental. Organizada pela associação cultural CC11, a edição deste ano reúne oito exposições de fotógrafos portugueses e estrangeiros, de diferentes gerações e percursos, distribuídas por cinco espaços da cidade: Casa da Imprensa, Pavilhão J da Mitra, Mercados Municipais da Ribeira e de Campo de Ourique e Jardins do Bombarda.
A programação começa nos Jardins do Bombarda, onde, a partir de 5 de setembro, o pinhal acolhe Raspberries for Christmas, de Marc Schroeder. A exposição estabelece um diálogo entre as fotografias e a paisagem envolvente, propondo uma reflexão sobre a vulnerabilidade dos ecossistemas e sobre as formas como habitamos e transformamos os territórios.
A partir de 9 de setembro, o Pavilhão J da Mitra, em Marvila, reúne três exposições. Dois segundos na luz, de Céu Guarda, com curadoria de Vítor Nieves, apresenta uma retrospectiva do percurso da fotógrafa e parte da sua própria distinção entre o século XX e o século XXI enquanto dois tempos distintos da experiência fotográfica.
Guerra com gente dentro, de André Luís Alves, vencedor do Prémio CC11 de Fotografia 2026, reúne 25 fotografias realizadas desde 2022 na Ucrânia, acompanhando a guerra e a realidade das populações que a vivem.
Com curadoria de Nuno de Santos Loureiro, Algarve 63, de Tim Motion, recupera uma série realizada pelo fotógrafo britânico no Algarve durante as décadas de 1960 e 1970. Às imagens que registam a vida e a autenticidade da região nos anos 60 juntam-se fotografias realizadas depois do 25 de Abril de 1974, revelando as transformações de uma sociedade perante uma nova realidade.
A partir de 16 de setembro, o Mercado de Campo de Ourique recebe dois projectos. Em exposição na loja 26, Outras Paisagens, de Manuel Falcão, acompanha a recolha de materiais destinados à reciclagem e reutilização, revelando um universo quotidiano pouco visível. Nas bancas 8 e 9, Chão que não se pisa, não dá fruto, de João Pedro Almeida, aborda as contradições do território do Pinhal Interior, marcado pela relação entre o fogo, a destruição, a sobrevivência e os modos de vida das populações.
No dia 23 de setembro, a Casa da Imprensa apresenta uma retrospectiva do trabalho do fotojornalista Manuel Moura, que começou a fotografar em 1967 e desenvolveu grande parte do seu percurso em agências noticiosas, até à reforma na Agência Lusa. Com curadoria de António Pedro Santos, a exposição percorre um trabalho construído em torno da ideia de que uma fotografia pode fixar a notícia e permanecer na memória.
A programação de exposições encerra no Mercado da Ribeira, a partir de 30 de setembro, com A Cidade e o Mar, que reúne dois projectos distintos. Rui Soares Esteves apresenta uma selecção de fotografias sobre Lisboa, cidade à qual regressou depois de vários anos a viver em Nova Iorque. Eduardo Leal documenta, por seu lado, um raro grupo de mulheres pescadoras nos Açores, revelando uma realidade que contraria os estereótipos tradicionalmente associados ao papel da mulher na pesca.
Ao longo de dois meses, a MFA Lisboa propõe assim um percurso por diferentes geografias, tempos e formas de olhar, aproximando a fotografia dos lugares onde a vida acontece. A diversidade dos autores e dos temas reflecte a vontade da CC11 de promover a fotografia como instrumento de reflexão sobre o presente, preservação da memória e conhecimento dos territórios.
Todas as exposições têm entrada livre. Os horários, moradas e informações detalhadas sobre cada exposição estão disponíveis no site e nas redes sociais da CC11.