07/10/2021
Agosto 2016; Estávamos no centro da aldeia, em conversa com o Comandante do Bombeiros, a aguardar que o fogo chegasse a um local onde os auto-tanques e as mangueiras tivessem acesso. Entretanto surge um jipe da GNR, conduzido por um militar, ex-bombeiro. O Comandante grita; “…Nelson, leva-me lá a cima, ao cume do monte, que eu quero ir ver onde está o cabeço do fogo…” . De imediato o militar se disponibiliza para levar o Comandante, e eu pergunto-lhe; “…posso ir convosco ? ….” É regra deontológica não sermos noticia. Mas ponderando os riscos, ia com um militar experiente, mais um Comandante de Bombeiros, portanto risco não ia correr. E assim fomos, redutoras do jipe ligadas, a subir cerca de 600 metros, com um inclinação razoável. Chegados ao cume, de imediato sentimos o “bafo” de um temperatura seguramente a rodar os 500 º . O comandante sai do jipe, e grita; “….Vira já essa m@rda para baixo. Têm cuidado com os pneus….Vira essa m@rda rápido….” A frente de fogo estava a metros de nós, com forte intensidade. Dentro do jipe o silêncio era tão grande que o disparar da máquina ecoava. Quem diria, ultrapassei a fronteira do risco calculado. No regresso, o Comandante gracejava: “….Oh Senhor Rui, grande noticia que ia acontecendo. Um GNR, um Comandante dos Bombeiros e um Jornalista morrem torrados dentro de um jipe….” Tinha razão. Nunca mais confio… há sempre alguém mais “louco” que nós…..
Rui Farinha Fotografia, Publico, Fotojornalismo, Photography