Alchemy Studio Porto

Alchemy Studio Porto Unique portrait on a metal plate, captured with 19th century process. One-of-a-kind photo experience

Há uma coisa curiosa nos processos antigos.Quanto mais tempo lhes dedicamos, menos nos ensinam sobre fotografia e mais n...
01/06/2026

Há uma coisa curiosa nos processos antigos.

Quanto mais tempo lhes dedicamos, menos nos ensinam sobre fotografia e mais nos ensinam sobre pessoas.

O colódio húmido tem essa capacidade rara de separar o essencial do ruído. Obriga-nos a abrandar, a observar e a confiar no tempo. E o tempo, ao contrário da pressa, acaba sempre por revelar tudo.

Ao longo dos últimos anos tenho conhecido pessoas extraordinárias. Pessoas generosas com o seu conhecimento, com o seu apoio e com a sua presença. São essas que tornam qualquer caminho possível.

E depois existem todas as outras experiências, igualmente importantes.

Porque a dúvida fortalece a convicção. O obstáculo afina a direção. E aquilo que parecia ser um travão acaba, muitas vezes, por ser apenas mais uma razão para continuar.

Talvez por isso goste tanto desta técnica.

A prata não discute, não compete, não explica. Apenas revela.

E quando a imagem finalmente aparece na chapa, tudo o resto perde importância.

Tintype 4x5 em colódio húmido.

Há rostos que não envelhecem — oxidam.Como ferro deixado à chuva da cidade.Como cartazes arrancados das paredes húmidas ...
23/05/2026

Há rostos que não envelhecem — oxidam.
Como ferro deixado à chuva da cidade.
Como cartazes arrancados das paredes húmidas do Porto depois de uma noite demasiado longa.

Frágil Lapa carrega décadas inteiras no corpo.
Cada piercing, cada sombra debaixo dos olhos, cada marca funda na pele parece guardar restos de concertos, noites sem mapa, amigos perdidos, sobrevivências improváveis. Um arquivo vivo da contracultura portuense. Um dos nomes incontornáveis do punk português desde os anos 80, quando o Porto aprendia a transformar ruína em identidade e barulho em linguagem.

Neste retrato em tintype 4x5, o colódio húmido faz aquilo que sempre fez melhor: não fotografa apenas uma pessoa — revela matéria, tempo e fantasma.
A prata agarra-se à luz como memória química.
As imperfeições da chapa tornam-se parte da verdade.
Nada aqui é limpo. Nada aqui é domesticado.

Há qualquer coisa profundamente simbólica no encontro entre o punk e o colódio húmido.
Ambos nasceram fora do conforto.
Ambos recusam perfeição.
Ambos sobrevivem através da falha, do ruído e da persistência.

Frágil olha de frente, sem personagem, sem pose.
Como quem já atravessou demasiados cruzamentos para precisar de explicar quem é.

E talvez seja isso que mais me interessa nestes retratos:
não congelar uma identidade,
mas revelar as camadas invisíveis que o tempo deixou sobre ela.

Porto.
Prata.
Pele.
Ruído.
Memória.

Tintype 4x5 em colódio húmido.
Alchemy Studio Porto.

One of the greatest gifts this process has given me over the years is the possibility of meeting people from different p...
19/05/2026

One of the greatest gifts this process has given me over the years is the possibility of meeting people from different parts of the world, different cultures, different languages, different ways of seeing and inhabiting life.

And yet, in front of the camera, something universal always emerges.

A gesture. A silence. A way of looking at one another.
Human presence stripped of everything unnecessary.

This 5x7 tintype was created using the wet plate collodion process on a metal plate — a slow and entirely handcrafted technique that demands time, trust, and stillness. In a world moving increasingly fast, these encounters become moments of rare attention and connection.

What moves me most is that the process itself seems to dissolve distance. Backgrounds, origins, identities, cultures — all remain present, but something deeper rises above them: our shared humanity.

Every chapa carries traces not only of chemistry and light, but of the people who pass through this studio and leave part of their story behind.

No two portraits are ever the same, because no encounter is ever repeated.

This is what continues to fascinate me after all these years: the privilege of witnessing human diversity through a process born almost two centuries ago, and transforming those brief encounters into unique objects capable of outliving us all.

5x7 Tintype
Wet Plate Collodion on Metal Plate
Alchemy Studio Porto

Há amizades que se constroem ao longo do tempo, entre trabalhos, concertos, encontros inesperados e conversas que ficam....
14/05/2026

Há amizades que se constroem ao longo do tempo, entre trabalhos, concertos, encontros inesperados e conversas que ficam.
Com o Rui Murka foi assim.

Cruzámo-nos várias vezes pela fotografia, pela música, pela noite e pela vida. Sempre reconheci nele uma presença inquieta e criativa, alguém que carrega um olhar muito próprio sobre o mundo.

Este retrato 5x7 em tintype, realizado em colódio húmido sobre chapa, era inevitável.
Há rostos que pertencem naturalmente a este processo — não pela estética, mas pela verdade que transportam.

O colódio obriga-nos a parar.
A existir naquele instante com honestidade.
E talvez seja isso que mais gosto nesta imagem: ela não tenta explicar nada, apenas guardar presença.

Um retrato de um amigo.
Feito devagar, como tudo o que importa.

Há processos fotográficos que sobrevivem ao tempo não apenas pela técnica, mas pela partilha.O colódio húmido continua v...
14/05/2026

Há processos fotográficos que sobrevivem ao tempo não apenas pela técnica, mas pela partilha.
O colódio húmido continua vivo porque Frederick Scott Archer escolheu não patentear o processo, permitindo que este conhecimento permanecesse livre, acessível e passado de mão em mão, de geração em geração.

Estas imagens foram realizadas por pessoas que vieram até mim para aprender, experimentar e mergulhar neste universo lento, imperfeito e profundamente humano.
Cada placa aqui apresentada é resultado de dedicação, paciência, química, luz e presença.

Sinto um orgulho imenso ao ver o olhar de cada participante traduzido nestas fotografias.

Os workshops aconteceram no .A.B. Bar — um espaço onde arte, encontro e experimentação coexistem naturalmente — e esta experiência pode também ser vivida no nosso studio/bar, no Porto.

Mais do que ensinar uma técnica, interessa-me manter viva uma tradição de partilha.
Tal como começou.

There are portraits that go beyond representation.They become witnesses to a bond, to a shared life, to a love that exis...
13/05/2026

There are portraits that go beyond representation.
They become witnesses to a bond, to a shared life, to a love that exists quietly and profoundly between two people.

Creating this 4x5 tintype of a mother and her son was a true honour.

Made using the historic wet plate collodion process on a metal plate, this image was created slowly and entirely by hand — prepared, exposed, and developed within minutes while the chemistry was still alive on the surface of the chapa — the metal plate itself that becomes the final photographic object. Every mark, every tone, every subtle imperfection belongs uniquely to this singular piece.

What moved me most was not only the portrait itself, but the presence between them. The silent understanding in their gaze, the closeness shaped by years, memory, care, and unconditional love. Some relationships carry a kind of light that photography does not invent — only reveals.

That is what I tried to preserve here.

In a time where most images disappear endlessly into screens and archives, there is something deeply meaningful about creating an object that physically exists in the world. A one-of-a-kind piece made to endure. Something that can be held, inherited, remembered.

A small fragment of human connection fixed onto metal, capable of surviving far beyond our own existence.

4x5 Tintype
Wet Plate Collodion on Metal Plate
Alchemy Studio Porto

JOÃO CASTRO — músico (Lolipops)Tintype 5x7Há músicos que tocam.E há outros que carregam som mesmo em silêncio.João Castr...
28/04/2026

JOÃO CASTRO — músico (Lolipops)
Tintype 5x7

Há músicos que tocam.
E há outros que carregam som mesmo em silêncio.

João Castro pertence claramente ao segundo grupo.

Conhecido pelo seu trabalho com os Lolipops, move-se num território onde a música não é apenas estrutura — é textura, ruído, atmosfera. Há algo de orgânico e cru na forma como constrói som, quase como este retrato: direto, sem polimento, sem concessões.

Neste retrato, essa mesma linguagem está presente.
O olhar firme, o rosto aberto, o cabelo livre — tudo sugere alguém que não segue linhas retas nem fórmulas fáceis. Há uma espécie de resistência tranquila, uma identidade que se constrói fora do óbvio.

Tal como na sua música, também aqui não há pressa.
As coisas existem no seu próprio tempo.

Este não é um retrato de palco.
É o intervalo entre sons — onde tudo realmente acontece.

João Castro, em estado bruto.

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Porto
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