27/08/2026
Há alguns dias fizeram-me chegar estas fotografias...
Olhei para elas uma, duas, três vezes e senti uma mistura de tristeza, vergonha e revolta.
Porque conheço o ANTES e vejo o AGORA...
Para a construção do CAE (Campo de Atividades Escutistas) não tivemos grandes máquinas, grandes empresas ou grandes orçamentos. Tivemos, sim, escuteiros, pessoas e amigos.
Houve muitas horas de trabalho voluntário, muitos fins de semana, muitas mãos, muito suor e, acima de tudo, a vontade de construir em Golães um espaço onde o Escutismo pudesse crescer e deixar marca.
Durante anos, aquele campo foi muito mais do que um simples espaço físico: foi um sonho e uma conquista. Foi, para muitos de nós, a jóia da coroa.
A vida levou-me por outro caminho e, felizmente, encontrei mais tarde nos Bombeiros Voluntários da Trofa uma nova casa, uma nova missão e uma nova forma de continuar a servir.
Mas há coisas que nunca deixam de fazer parte de nós.
E aquele campo é uma delas.
Por isso, quando recebi estas fotografias, revoltei-me uma vez mais.
Não por aquilo que aconteceu comigo, mas por aquilo que aconteceu com aquilo que todos ajudámos a construir.
Passaram-se oito anos e estas fotografias são o retrato das consequências de um caminho marcado por determinadas atitudes...
Magoa ver a que estado chegou este espaço.
Magoa porque por detrás destas paredes estão memórias, estão horas de trabalho, estão histórias de gerações de escuteiros, estão pessoas que deram o seu tempo sem pedir nada em troca, estão mãos que construíram aquilo que hoje vemos degradar-se...
E talvez a pergunta mais importante seja:
Como foi possível isto acontecer???
Escrevo este post porque acredito que aquilo que foi construído com tanto esforço merece respeito.
E porque continuo a acreditar que o Escutismo de Golães merece muito mais do que isto.
E agora, olhando para a última fotografia...
Uma coisa é certa: não está como em 2006.
Em 2006 havia apenas um terreno.
Hoje existe um campo...
que parece estar a querer voltar a ser um terreno. 😏